Sossega, coração! Não desesperes!
Talvez um dia, para além dos dias,
Encontres o que queres porque o queres.
Então, livre de falsas nostalgias,
Atingirás a perfeição de seres.
Mas pobre sonho o que só quer não tê-lo!
Pobre esperança a de existir somente!
Como quem passa a mão pelo cabelo
E em si mesmo se sente diferente,
Como faz mal ao sonho o concebê-lo! Sossega, coração, contudo! Dorme!
O sossego não quer razão nem causa.
Quer só a noite plácida e enorme,
A grande, universal, solente pausa
Antes que tudo em tudo se transforme.

Fernando Pessoa (via oxigenio-dapalavra)
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  • Há 1 mês
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Só queria
Uma xícara quente de café
e um livro,
aah, e um amor, de preferencia, sem fim.

Catharine.  (via promessasvazias)
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  • Há 1 mês
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  • Há 1 mês
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Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas
mais que a dos mísseis.
Tenho em mim
esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância
de ser feliz por isso.
Meu quintal
É maior do que o mundo.

Manoel de Barros  (via oxigenio-dapalavra)
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  • Há 2 meses
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Somos todos
um bando de viciados,
enquanto o mundo
não para nunca,
acelera
e nos engole.

Viciados
nas imagens cinematográficas
no noticiário da Folha de domingo
no rebolado de Cecília na avenida
na bebida, no Malboro, na escrita,
no sorriso escancarado de Joel
no espetáculo tragicômico da vida
no amor
na ferida
nas flores que despistam a morte
na despedida.

Somos todos
um bando de viciados
enquanto o caos
não para nunca,
acelera
e nos engole por dentro.

E depois do estrago o suicídio abre as gavetas
e escrevemos todas as magoas, as metades, as perdas
escancaramos nossas almas sem sinal nem cortinas
iniciamos o espetáculo da utopia desvanecida
porque chorar se torna medíocre
porque as mãos estão suadas e escorregadias
porque você não se cansa de ir embora
porque a visão não permite mais o foco

e a realidade escapole e afoga
e o amor alucina e ressuscita a única saída,
a poesia.

Somos um bando de poetas enlouquecidos.

Elisa Bartlett.  (via oxigenio-dapalavra)
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  • Há 2 meses
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Tão fácil gostar de você com essa melancolia no olhar estendida para o seu jeito discreto, os gestos precisos, as palavras encaixadas numa gargalhada inusitada. Teu conhecimento vasto sobre tudo e uma simplicidade comovente ao devanear sobre a vida, tudo tão carregado de lirismo e uma nesga de dor. Tão fácil querer ouvir por horas qualquer assunto que a gente ainda nem começou. E te surpreender com um comentário obsceno, teu corpo em escuta, passivo e pleno, e a gente se inclinando para perto um do outro, pois todo calor ainda é pouco. E as horas se apressam para os nossos compromissos, quando nos despedimos indecisos com vontade de ficar. Tão fácil saber que alguma poesia nascerá num próximo encontro, na minha timeline ou na sua ou na mesa de qualquer lugar.

Marla de Queiroz     (via promessasvazias)
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  • Há 2 meses
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